Mensagem do Presidente

MENSAGEM CONJUNTA DO PRESIDENTE DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO E DO PRESIDENTE DA COMISSÃO EXECUTIVA

O ano de 2019 foi, em termos económicos, significativamente mais adverso, tendo alguns eventos políticos e económicos concorridos para esta conjuntura menos favorável.

Do ponto de vista político salienta-se o facto do Governo eleito nas eleições legislativas de 2018 só ter tomado posse em dezembro de 2018 e apresentado o Orçamento Geral em finais de abril de 2019. Tendo o orçamento sido aprovado apenas em abril, o Governo dispôs de pouco mais de 8 meses para iniciar contactos para mobilização de fundos para o financiamento do seu programa de governação para o ano corrente.

Em termos económicos, destaca-se o elevado nível da dívida pública, que em setembro de 2019 cifrava-se em USD 380,7 milhões, pesando cerca de 90% do PIB. A contribuir para estas dívidas, cerca de USD 114,6 milhões correspondiam à dívida interna, sendo que 26% desta dívida interna era com o sistema bancário, via Bilhetes de Tesouro, adiantamento de salários e outros financiamentos.

A meta do défice primário para 2019 foi revista para 2,1%, porém em face das dificuldades sentidas pelo Governo na arrecadação de receitas e redução de custo, esta meta representa um grande desafio. Importa relembrar que em 2018 a meta era de 1,3%, definida com o FMI, tendo, porém, o défice ficado em 4,2% do PIB, bem longe da meta. A menor arrecadação de receitas, muito ligada ao menor nível de investimento público atualmente necessário para a dinamização da economia, poderá condicionar o alcance da meta do défice.

As reservas internacionais líquidas caíram para níveis críticos ligeiramente abaixo de três meses de importação no final de 2018. Para 2019 a cifra projetada é de 3,2 meses de importação, ainda assim muito próxima da margem mínima de segurança. A reduzida disponibilidade de reservas internacionais decorre da dificuldade que o país tem tido na mobilização de recursos financeiros externos com maior incidência nos últimos anos.

O arrefecimento da economia também foi perceptível pela contração em 10% do volume de importação, o que também impactou sobre as receitas aduaneiras.

O País também enfrentou em 2019 um novo problema ligado à obtenção de combustível para o abastecimento do mercado. São Tomé e Príncipe tem a  energia térmica como a sua principal fonte de energia, mas, com as limitações na compra de combustível a crédito, como vinha fazendo com a Sonangol, e, perante a limitação em dispor de divisas para garantir a compra à vista, coloca o país numa situação de grande pressão para garantir o abastecimento de combustível (gasóleo, gasolina, petróleo)  para os transportes, fornecimento de energia e uso doméstico.

 

Em face deste cenário de claro desequilíbrio, o Governo recorreu ao FMI para renegociar um novo acordo de assistência técnica e financeira visando melhorar o quadro macroeconómico.

Para que essa renegociação acontecesse, o Governo teve de tomar algumas medidas prévias, apresentadas pelo FMI como condições de base para uma renegociação. Neste contexto o Governo, através do Primeiro-Ministro, anunciou que seriam tomadas medidas económicas, tendo explicado que “… São algumas medidas duras de impacto social grande. Mas, não temos outra solução perante o volume da dívida, e, tudo teremos de fazer para o saneamento das finanças públicas e melhorar o desempenho económico.” No conjunto destas medidas destaca-se o aumento do preço de combustível, ocorrido em setembro, e a aprovação da lei do IVA, ocorrido em outubro, com previsão inicial de entrada em vigor para 01 março de 2020, tendo sido, porém, adiada, por falta de condições técnicas e operacionais.

O aumento do preço de combustível criou maior pressão sobre o rendimento das famílias, com o aumento do preço de transportes e do petróleo, bem como sobre as empresas, que recorrem ao combustível não só para os meios de transporte, mas, também, como fonte de energia em alternativa ao fornecimento ainda irregular de energia elétrica pela empresa estatal.

Foi notório que os entraves estruturais da economia nacional, que parece terem agudizado em 2019, condicionaram o desempenho do setor bancário, constituindo um grande desafio e um teste de resiliência, em mais este ano, para os bancos.

Neste ambiente, a vulnerabilidade do sistema financeiro nacional persiste, constatando-se no setor bancário níveis de rendibilidade ainda negativos, requerendo reforço de capital, consequência da dificuldade na obtenção de melhores negócios com riscos aceitáveis.

  

Atividade do BISTP em 2019

Não obstante as condições económicas adversas, o BISTP procurou executar o seu orçamento e programa de atividade programado para 2019.

Mantendo como seu bastião o RIGOR, o BISTP atuou de forma a aumentar o seu volume de negócios e diversificar a sua oferta de produtos e serviços, por intermédio de medidas pró-ativas de dinamização comercial, mantendo sempre no centro das ações o foco na realização de medidas e atividades geradoras de Rentabilidade, Estabilidade e Solidez Financeira para o Banco, com caracter de Sustentabilidade a médio e longo prazo.

Visando diversificar as ofertas financeiras assentes na preocupação de melhor servir os clientes, o banco estabeleceu em 2019 a parceria com a Western-Union, para atender a uma necessidade crescente dos clientes particulares, em especial. Foram também lançados produtos de crédito denominados “Crédito Especial” destinados para empresas (pequenas e médias), visando estimular o aumento de investimento nos setores económicos como agricultura, indústrias transformadoras e turismo, e promovendo a criação de emprego e a substituição de importações, quiçá, contribuir para as exportações.

Visando a racionalização das tarefas e melhorar a eficiência operacional, a equipa de informática do BISTP iniciou o desenvolvimento de workflow de crédito, o que permitirá não só o ganho em produtividade, mas também na redução de custos neste processo.

Ao nível do capital humano, além do foco na formação e capacitação dos quadros, em particular no reforço de conhecimentos teóricos e práticos no domínio da Liderança e também de Compliance- sendo que esta última visa assegurar que o banco esteja  alinhado com as actuais exigências nacionais e internacionais no tocante à politica de prevenção de BC/AML, FT (Branqueamento de Capitais e Financiamento ao Terrorismo) e PADM (Proliferação de Armas de Destruição Maciça)- foram também desenvolvidas atividades lúdicas que visavam o reforço do espírito de equipa e a geração de maior bem-estar dos Colaboradores no seio da organização. 

Foram ainda criados 2 comités (Comité de Risco Financeiro e Comité de Auditoria e Controlo Interno) com objetivo de reforçar o sistema de controlo interno e ajustar a estrutura do banco às exigências do regulador.

Como corolário final, apesar da difícil situação macroeconómica e da débil conjuntura económica que vigora em S. Tomé e Príncipe desde há cerca de 5 anos, em resultado das medidas de gestão que já vêm sendo implementadas desde os anos anteriores, complementadas pelos esforços imprimidos em 2019, e, como dizíamos, apesar destas dificuldades, poderemos afirmar que o BISTP continuou a cumprir com a sua missão e objectivos em apoiar as empresas e as famílias – por intermédio do efectivo aumento do crédito concedido - e, vincando o seu papel e sua importância no contexto do Sector Bancário de STP, foi dando o seu contributo para a promoção do crescimento económico e para o desenvolvimento do País.

Sinteticamente, destacam-se os seguintes desempenhos e resultados do BISTP neste difícil ano de 2019 e em relação ao período homólogo do ano anterior:

  • Aumento do Volume de Negócios em cerca de 4,51 % em relação ao ano anterior;
  • Aumento da carteira de Crédito em 2,53 %, em que as novas operações ultrapassaram os montantes para compensar os créditos naturalmente amortizados e liquidados;
  • Aumento dos Depósitos totais em cerca de 4,16 %, o que reflecte a confiança que o Banco inspira aos seus Clientes;
  • O Rácio de Transformação (Crédito/Depósitos) vem anualmente aumentando, não se descurando o prudente Rigor na análise de Risco;
  • Redução do peso do Crédito Irregular histórico (NPL), o qual, vindo anualmente a diminuir por via de recuperações de crédito em atraso, apresenta prudentemente um nível de Provisão muito satisfatório;
  • Aumento do Activo Total em 7,4 % e do Capital Próprio em 8,1%, a conferir maior robustez financeira ao BISTP;
  • A variação da Margem Financeira e da Margem Complementar (Produto Bancário) e a racionalização/contenção nos Custos, coadjuvada por uma prudente política de Provisões, conduziram a um aumento do Resultado Líquido em 5,09 %;
  • Rendibilidade mantendo-se estável e, praticamente, ao mesmo nível do ano homólogo, apesar da conjuntura mais adversa em 2019 (ROE a fixar-se em 14,4%) e os demais Rácios Económico-Financeiros mantiveram-se em confortáveis e prudentes níveis.
  • Consolidação e/ou incremento nas já muito significativas e destacadas Quotas de Mercado que o BISTP detém no Sistema Bancário Santomense.

Sem margens para dúvidas que o contínuo apoio incondicional da estrutura acionista (Estado São-Tomense, Caixa Geral de Depósitos, Banco Angolano de Investimentos), assim como o total empenho dos Colaboradores do Banco, tem sido preponderante para o BISTP alcançar resultados satisfatórios, mesmo em conjunturas manifestamente adversas.

 

Perspetivas e compromissos para 2020

Não obstante as dificuldades financeiras sentidas pelo principal agente económico (Estado) em STP, seria expetável que, com o alcance de um novo acordo de assistência técnica e financeira com o FMI, no ano de 2020 o Governo disponha de melhores condições e tempo para atrair mais recursos financeiros e realizar mais investimentos públicos e consequentemente estimular maior atividade económica.

Porém, é evidente que os problemas estruturais do País, ligados ao baixo nível de receitas fiscais, ao fornecimento irregular de energia e de fonte economicamente insustentável, à carência de infraestruturas básicas e ao desequilibro de balança de pagamentos e escassez de divisas, continuarão a ser desafiadores para a economia e para o sector financeiro em particular. Para além dos problemas estruturais da economia, existe o problema conjuntural recente do COVID-19 que, certamente, terá impactos negativos muito significativos para  economia global e, consequentemente para a economia santomense,  que para além de depender essencialmente dos financiamentos dos seus parceiros internacionais, é muito sensível ao choque externo, tendo em conta a sua estrutura económica - economia pouco diversificada, fortemente dependente de importações, tendo o turismo como um sector muito relevante e uma importante fonte divisas e, o cacau como principal produto de exportação - factos que  nos levam  a crer que o ano de 2020 será, de igual modo, mais um ano de adversidade,  cuja magnitude ainda é muito incerta.

Para o sector bancário, na sua desejada missão de apoiar a economia e promover o desenvolvimento económico e social, as prioridades continuam a ser a melhoria da qualidade dos serviços financeiros, a diversificação dos produtos e serviços, a obtenção de níveis razoáveis de rendibilidade, solvência e de riscos, de forma a melhorar a resiliência aos choques internos e externos.

Não obstante maiores dificuldades esperadas para o ano  de 2020, decorrentes dos efeitos da pandemia do COVID-19 e dos problemas estruturais já mencionados, que constituirão um entrave à melhoria da situação económica e financeira do País,  mantemos a nossa motivação e crença no potencial e no futuro deste mercado, razão pela qual o BISTP renova a cada ano o seu compromisso investindo cada vez mais na busca de soluções financeiras que possam contribuir para a melhoria da economia nacional e do bem-estar geral dos santomenses.

A gestão do Banco continuará a manter o atual modelo de governo, com foco nos princípios e nos valores que norteiam o BISTP, apostando na “Excelência” e desenvolvimento da sua atividade e no dinamismo comercial como estratégia para melhor servir os seus Clientes, mantendo uma prudente cultura de risco que conduza ao seu efetivo criterioso controlo, e, racionalização para um eficaz controlo dos custos, para assim atingir os objetivos de crescimento, rendibilidade, solidez e liquidez.

Assim, para 2020 mantemos o nosso foco nas seguintes ações:

  • Dinamizar o bom crédito a particulares e empresas;
  • Diversificar e melhorar a repartição de risco;
  • Dinamizar a atividade de recuperação do crédito em atraso/incumprimento;
  • Aumentar a pró-atividade e dinamização comercial de modo a alcançar objetivos fixados por unidade de negócio;
  • Aumentar o número de clientes, nomeadamente através da obtenção de uma maior taxa de bancarização da população;
  • Continuar a intensificação no reforço da segurança do sistema informático e da banca eletrónica;
  • Apostar nas novas tecnologias e nos meios digitais;
  • Melhorar o controlo e racionalização dos custos;
  • Reforçar as áreas de controlo interno;
  • Criar Valor e apresentar Resultados a cada trimestre.

A administração do BISTP espera poder continuar a merecer a confiança e contar com todo o apoio dos seus Stakeholders de forma a poder continuar a contribuir positivamente para este projeto de sucesso que tem sido o BISTP, com o lema “desde sempre - para sempre”. 

Eng. Miguel Malheiro Reymão

Presidente da Comissão Executiva

Dr. Nelson Lombá Fernandes

Presidente do Conselho de Administração