MENSAGEM CONJUNTA DO PRESIDENTE DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO E DO PRESIDENTE DA COMISSÃO EXECUTIVA

No início de Janeiro de 2016 o Primeiro-Ministro São-Tomense, Dr. Patrice Trovoada, reconheceu e referiu que “o ano de 2015 foi um ano de muita dor, sacrifícios diversos e dificuldade de vária ordem para os são-tomenses”, mas prometeu que “o ano de 2016 vai ser um palco de novas conquistas". Esta declaração proferida pelo Primeiro-ministro de São Tomé e Príncipe, ilustra bem a difícil conjuntura que caracterizou a atividade económica em 2015.

O contexto económico foi adverso não só pela aprovação tardia do OGE, mas também pela dificuldade de mobilização de recursos financeiros para o financiar.

O nível de liquidez injetado na economia pelo Estado ficou condicionado pelos fatores já mencionados, ao ponto de deixar em dificuldades de tesouraria muitas empresas credoras do Estado. As dificuldades de tesouraria sentidas pelas empresas tiveram repercussão imediata sobre o sector bancário, através do aumento do risco de incumprimento e de provisão.

Para o sector bancário, este ano foi mais um de grande adversidade, desafios e teste de resiliência a todos os níveis.

Apesar de alguma evolução registada no mercado desde o surgimento do sistema financeiro até à presente data, o mercado para o sector financeiro ainda tem uma dimensão micro (em termos populacional e em termos de poder de compra).

Atuando de forma muito ativa 7 bancos neste mercado, onde as oportunidades de negócio se fizeram mais escassas, principalmente nesta conjuntura, verificou-se neste ano uma intensa atividade dos bancos na redução das taxas de juros nominais de forma significativa, visando estimular o crescimento das suas respetivas carteiras de crédito. Porém, essa ação trouxe também como efeito negativo a rentabilização menos eficiente dos recursos e contribuiu para esmagar ainda mais a margem financeira, já deprimida com o nível ainda baixo do volume da carteira de crédito.

Foi notório neste ano que a vulnerabilidade do sistema financeiro nacional assenta também no nível de concentração das operações de crédito, no elevado nível de endividamento dos agentes económicos, no recrudescimento do incumprimento, na fraca proteção legal e na morosidade na resolução de processos contenciosos, num mercado imobiliário pouco líquido para liquidação dos imóveis recebidos em dação, e, no elevado custo operacional.

A intervenção do BCSTP no Banco Equador, bem como a exigência de reforço de capital para alguns bancos que operam no sistema financeiro nacional, é bem o reflexo da vulnerabilidade deste sector e que se tornaram mais visíveis nesta conjuntura adversa.

Apesar da rentabilidade e da solvabilidade do sector bancário mostrarem grandes vulnerabilidades e motivos de inquietação, o sector tem apresentado, contudo, um excesso de liquidez, explicado em parte pela redução de procura creditícia de boa qualidade.

O BCSTP, através da NAP 14/2015 e NAP 04/2015, criou respetivamente as Operações de Mercado Aberto (OMA) e o Mercado Monetário Interbancário (MMI), com o objetivo de canalizar esse excesso de liquidez para a economia através da emissão de Bilhetes de Tesouro e oferecer uma alternativa de aplicação para o sector bancário no mercado nacional e melhorar a sua rendibilidade.

Atividade do BISTP em 2015

A fraca atividade económica que levou a uma menor procura creditícia associada a níveis de taxas de juro cada vez mais baixos, condicionou negativamente a margem financeira e o produto bancário.

O desafio para o BISTP perante essa conjuntura, foi não só manter a sua posição de líder do mercado e defender a sua quota, mas também continuar a manter os indicadores de liquidez, solvabilidade e rendibilidade em terreno positivo, através de uma gestão prudencial do ativo e do passivo.

O cumprimento desse desiderato, foi possível graças ao reforço contínuo da cultura inscrita no ADN do BISTP que se identifica com a orientação para a qualidade, rigor e segurança, profissionalismo da sua equipa, rendibilidade dos ativos e a racionalização dos custos. É também graças a essa cultura que tem sido possível evoluir de forma progressiva e efetiva no cumprimento do objetivo estratégico de “Excelência” assente em 4 eixos fundamentais (Comercial, Modernização e Expansão, Recursos Humanos e Sistemas de Informação).

No âmbito de processo de modernização e expansão, salienta-se a edificação da Filial da Região Autónoma do Príncipe e de uma Mediateca. Trata-se de um marco importante na história do Banco, que mostra a sua determinação para modernizar as suas instalações e melhor acolher os seus clientes, para reforçar a sua imagem institucional no mercado, aumentar a bancarização. É também um sinal claro que o banco dá, através deste investimento, relativamente à sua visão quanto à viabilidade futura deste mercado, apesar das adversidades e da sua pequenez.

Assim, em 2015, o BISTP conseguiu manter os seus rácios prudenciais em níveis bastante confortáveis (Liquidez e Solvabilidade), obter um resultado líquido positivo, apesar da queda em torno de 19,85%, e consequentemente manter a sua rendibilidade em terreno positivo. De salientar que o BISTP foi o único banco no sistema financeiro nacional a registar um resultado positivo.

Certamente que estes feitos não seriam alcançados sem o acompanhamento e o apoio incondicional da estrutura acionista do banco (Estado são-tomense, Caixa Geral de Depósitos, Banco Angolano de Investimentos) e muito menos sem a estreita colaboração, empenho e profissionalismo dos 168 colaboradores do Banco.

Perspectivas para 2016

A história do BISTP se confunde com a história do sistema financeiro nacional, por isso o engajamento do banco com o desenvolvimento do sistema financeiro e da economia em geral é reafirmada a cada ano.

Para 2016, esperamos uma conjuntura ainda adversa, mas, previsivelmente melhor que o ano findo.

O banco continuará a apostar na “Excelência”, no desenvolvimento da sua atividade como estratégia para melhor servir os seus Clientes, e no melhor controlo do risco e dos custos para atingir os objetivos de rendibilidade, solidez e liquidez.

Mais uma vez, importa realçar e enaltecer que o contínuo apoio dos Acionistas será fundamental para o alcance dos objetivos fixados para 2016, assim como o empenhamento e envolvimento de todos os Colaboradores em torno desses objetivos.

A administração do BISTP espera poder continuar a merecer a confiança e contar com todo o apoio dos seus Stakeholders, de forma a poder continuar a contribuir positivamente neste projeto de sucesso que tem sido o BISTP “desde sempre para sempre”.

 

Eng. Miguel Malheiro Reymão                                                          Dr. Adelino Castelo David

Presidente da Comissão Executiva                                                   Presidente do Conselho de Administração